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Alexandra Loras ameaçada de morte ao relembrar racismo de William Waack


Francesa de origem e brasileira de coração, a jornalista, consultora de empresas e escritora Alexandra Baldeh Loras é uma referência no ativismo feminino negro. E defende, em entrevista ao Metrópoles, que a estrutura racista que compõem as bases da sociedade brasileira seja demolida para que, no lugar, surjam novos alicerces. Essa reparação histórica exige, acima de tudo, um esforço coletivo de alto preço, que ela já mostrou estar disposta a pagar.


Recentemente, Alexandra ganhou atenção da mídia após enfrentar William Waack ao vivo em debate na CNN Brasil. “Quando vejo o William Waack, que foi mandado embora por um episódio de racismo, debater tanto tempo sobre o racismo… Eu acho que deveríamos também convidar negros para debater sobre essas questões”, ponderou Alexandra.


Em tempo: Waack foi demitido da Rede Globo após um vídeo com comentários racistas do apresentador circular na internet.


“Depois daquele episódio, recebi inúmeras ameaças de morte. Fiz um boletim de ocorrência. É interessante ver o quanto nosso discurso incomoda. Eles querem nos calar”, lamenta. As tentativas serão vãs, ela garante.

A ex-consulesa da França no Brasil e mestre em ciência política no renomado Institut d’Études Politiques de Paris não está disposta a silenciar sua voz, sobretudo enquanto 56,10% da população que se declara negra no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE, não encontrar a verdadeira representatividade.


“A escravidão teve consequências sobre a cultura e o imaginário brasileiros, e os negros permanecem marginalizados. Por que não há nenhum super-herói negro no país? Por que todas as paquitas da Xuxa eram loiras? O racismo está em tudo, está em cada esquina. Quando você liga a tevê, não encontra 56% de negros na novela”, avalia.


É difícil assumir o eurocentrismo, a supremacia branca, a narrativa monocromática branca, a dominação e a opressão dos brancos sobre os negros por séculos. No entanto, é algo que precisamos fazer, em vez de negar esses acontecimentos.

País Racista

Nascida na capital francesa e radicada no Brasil desde 2012 com o marido, Damien Loras, Alexandra já conheceu mais de 50 países. Morou em oito deles. E é categórica ao dizer que, aqui, sentiu que há mais preconceito.


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“A escravidão formatou a cultura brasileira. E a população prefere negar esse passado a ver o que está acontecendo. Há um apartheid e uma segregação tão cordial e tão sofisticada que, ainda que não haja uma entrada só para brancos em um shopping da elite, o negro sabe que não pode entrar lá”, diz. “Temos que falar disso, não só pela morte de Floyd. No Brasil, morrem 17 vezes mais negros pela violência policial do que nos Estados Unidos”, salienta.


O negro não tem nem a oportunidade de ser inocente. Ele já nasce culpado quando, na verdade, os maiores bandidos do Brasil envolvidos com corrupção usam terno e gravata e estão no Congresso Nacional.

Loras emenda que a falta de estruturas sociais, como saneamento básico e segurança, atinge mais negros que brancos. “Precisamos, urgente, de dar dignidade a essas pessoas, e não continuar vivendo sem água corrente. Estamos no seculo 21 e o Brasil tem 15 milhões de pessoas vivendo dessa forma”, aponta.


Democracia Plena

Alexandra defende que só teremos uma verdadeira democracia quando houver “52% de mulheres no governo e 56% de negros no poder”. “Meu trabalho é ajudar as empresas a acordar sobre porque eles excluíram negros até agora. Antes de falar em exclusão, você precisa pensar porque excluiu”, explica.

“O homem branco de hoje não é responsável pela escravidão de ontem, como os alemães de hoje não são responsáveis pelo Holocausto de Hitler. Mas somos todos responsáveis por nos engajar na luta antirracista”, finaliza.


Fonte: Redação / Metrópoles


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