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FEMINICÍDIO: "Rosto, Seio e Vagina"


Violência Contra a Mulher: Segundo Jamila Jorge Ferrari, delegada Coordenadora das Delegacias da Defesa da Mulher em São Paulo, denunciar o companheiro agressor é a única forma de interromper a escalada de violência que pode culminar com o feminicídio.


Por que o feminicídio tem aumentado no Brasil?


Jamila : Há vários fatores. O feminicídio passou a ser um agravantes em 2015, então a polícia levou um tempo para fazer o registro de forma correta. Há também o fato das mulheres terem mais coragem para denunciar e a imprensa passou a pautar o tema. É um crime que existe desde sempre.


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Por quê?


Jamila : Ninguém começa um relacionamento dando tapa na cara. A agressão vem em uma escalada continua. Os primeiros sinais que a mulher não use determinada roupa, pede para ver o celular e para ela evitar certas amizades. Isso evolui para um esbarrão, tapa, soco e no último caso, o feminicídio. Trata-se de um crime não premeditado. Em geral, é um ataque de fúria com muita crueldade.


Explique Melhor.


Jamila :As armas usadas são faca, martelo, e força do corpo. Há muitos casos de maridos que queimam a companheira. O feminicida agride partes importantes para a mulher como o rosto, os seios a vagina. Existem registros de dezenas de facadas na região da pélvis. Não é "apenas" matar, entende? O objetivo é deixar marcado que a companheira é sua propriedade. Muitos feminicidas podem ser bons pais, bons funcionários. A questão dele é com a mulher. Os xingamentos são sempre de caráter sexual: galinha, vagabunda, prostituta. O homem elabora um motivo para matar, quase sempre sem conexão com a realidade.


Como evitar esse crime?


Jamila: Além da importância de denunciar o agressor em casos imediatos, a longo prazo esse quadro só será transformado com a educação. A Espanha reduziu os casos de feminicídio porque as escolas públicas e particulares passaram a dar aulas sobre igualdade de gênero e respeito ao próximo. Não podemos esquecer: Homens machistas foram criados por mulheres machistas. O machismo não está no DNA, ele é uma construção social. Enquanto as escolas não tiverem um programa para ensinar que todos temos os mesmos direitos e importância, não haverá evolução.



Fonte: Redação, Revista Veja

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