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Gastronomia: Chefs lançam campanhas para consumo em horários menos movimentados

Gastronomia: Jantar às 18h não chega a ser – nem de perto – um hábito que se faz presente na cultura brasileira. Porém, para alguns chefs, essa mudança de comportamento do público pode representar a sobrevivência de seus respectivos estabelecimentos, que padecem desde março do ano passado com a pandemia. O baque mais recente sofrido pelo setor ocorreu no último dia 21 de janeiro, com o anúncio feito pelo governo do Estado de retorno à fase vermelha do Plano São Paulo, de combate à pandemia.


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Em reação ao anúncio do governo estadual, diversos chefs e restaurateurs começaram a se mobilizar. Além de manifestações, algumas iniciativas surgiram com o objetivo de incentivar o público a frequentar os estabelecimentos em horários alternativos. É o caso da campanha #HelpHour, idealizada pelos chefs Bel Coelho e Alex Atala, que estreou na terça, 2.


Manioca. Pastelzinho de pupunha no cardápio das 4 da tarde Foto: Roberto Seba



A campanha, que – por enquanto – reúne cerca de 50 estabelecimentos da capital paulista, tem o objetivo de tornar a faixa de horário mais ociosa dos bares e restaurantes mais atrativa ao público. “A ideia é sensibilizar os clientes a frequentar os endereços mais cedo, o que cria uma possibilidade a mais de faturamento”, explica Bel Coelho, do Cuia Café, que fica dentro da livraria Megafauna.


Cuia Café


Idealizadora do projeto, a chef Bel Coelho apresenta um menu com sugestões como a tostada com avocado, semente de girassol e picles de vegetais (R$ 28), além do drinque cachaça tônica de pera com puxuri (R$ 31). Av. Ipiranga, 200, loja 48, República. 12h/19h (fecha dom.).



Outra iniciativa foi do restaurateur Gabriel Fullen, do grupo Locale (que reúne o Locale Trattoria, Locale Caffè e Oguru Sushi Bar), que criou nas redes sociais uma campanha chamada #JanteÀs18h, com o objetivo de incentivar o público a adiantar o jantar. “Com o fechamento às 20h e aos finais de semana, perdemos 70% do nosso faturamento.” Embora tenha chamado bastante atenção, a campanha, que inclui um drinque de boas-vindas ou uma taça de espumante, não teve tanta adesão da clientela. “Não faz parte da cultura do brasileiro, mas essa ação criou uma comoção nos clientes ao nosso segmento, que está sangrando a cada dia”, afirma Fullen.


Jiquitaia. Chips de Jiló para beliscar no happy hour Foto: Jiquitaia



Segue a mesma linha o #jantecedo, do chef Jefferson Rueda, da d’A Casa do Porco. A campanha, cuja madrinha é a cantora Fafá de Belém, tem o objetivo de incentivar as pessoas a adiantar o jantar. “Trata-se de um restaurante pequeno, que depende do giro para sobreviver. Com a restrição do público e horário reduzido, fica cada vez mais difícil manter o faturamento”, explica a chef Janaina Rueda, que também comanda o Bar da Dona Onça. Como o endereço comandado por Janaina se mantém aberto no período da tarde, ela também participa do movimento #HelpHour. “Isso é tendência no mundo todo e, sem dúvida, isso pode vir forte para São Paulo”, espera Janaina.


Em coletiva realizada na quarta-feira, 3, o governador João Doria (PSDB) anunciou o retorno do Estado à fase laranja do plano de combate à pandemia. Bares e restaurantes poderão contar com uma linha de crédito no Banco do Povo com juros mais baixos, parcelamento de dívidas, além da suspensão do corte de água e gás até o dia 30 de março. Com isso, os estabelecimentos seguem funcionando até as 20h, de segunda a sexta, e reabrem nos fins de semana.


No entanto, com regras como capacidade reduzida a 40%, funcionamento de 8 horas por dia e venda de bebidas alcoólicas até as 20h, essas mudanças ainda são insuficientes. A expectativa de Fullen é que o Estado retorne à fase amarela nos próximos dias, na qual os estabelecimentos podem funcionar até as 22h. “Fechando às 20h, o nosso faturamento no jantar está em 10% do que era na reabertura pós-quarentena. Precisamos ter o maior número possível de horas para trabalhar.”


Le Jazz


A partir das 17h, as cinco unidades têm sugestões como o drinque citrus ginger martini (Vodka Ketel One, Limoncello, Cointreau e suco de limão, com borda de açúcar e gengibre, R$35). R. dos Pinheiros, 254, Pinheiros. 12h/20h. 2359-8141


Fonte: Cintia Oliveira, Especial Agência Estado


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