• Redação Nacional

Oriente médio define momento para se impor

Atualizado: 2 de Jun de 2019




O Irã, enxerga de maneira positiva a presente situação no conflito sírio. Com grande quantidade de efetivos (regulares e irregulares) e equipamentos militares, Teerã não teria dificuldade em direcionar o governo sírio para retomar essas localidades com o uso da força. Outro ponto de interesse é na possibilidade de Teerã, via a falta de um adversário na região Norte da Síria, de com facilidade, conectar por via terrestre, todos os membros do chamado “Eixo de Resistência” (Irã, Síria e Hezbollah, utilizando o Iraque como ligação e que também possui grande população xiita), para a implementação das operações de resistência contra Israel, inimigo estratégico do Governo Iraniano.


Por outro lado, Teerã considera a retirada das forças estadunidenses da Síria como um primeiro passo para que outras nações árabes tentem projetar sua influência dentro da Síria. Isso ocorreria com a reaproximação dos países árabes que isolaram Damasco no início da Guerra Civil. Na última semana, os Emirados Árabes Unidos reabriram sua embaixada no país, sinalizando que outros países árabes, como a Arábia Saudita, futuramente o  façam. Como os países do Golfo possuem mais recursos financeiros que o Irã, estes poderiam tentar cooptar Assad a não cooperar com os iranianos.


Essa preocupação decorre do fato de que mesmos aliados, a Síria permaneceu próximo ao Irã não apenas pela proximidade entre as populações alauita síria e xiita iraniana, mas também porque não havia ninguém mais na região pronto a ajudar Assad a vencer a guerra[5]. Considerando a projeção de poder saudita sobre o Líbano, é de se presumir que os países do Golfo vão tentar servir como fiadores de um novo pacto de Assad com a maioria sunita do país.


Para o governo sírio, em Damasco, a retirada das forças estadunidenses foi uma notícia muito boa e isso acontece por dois distintos motivos. O primeiro é que a saída dos estadunidenses enfraquece os grupos opositores, que hoje estão encapsulados no Norte do país, e que contavam com a presença dos EUA para “constranger” as ações das forças legalistas e seus aliados iranianos e russos. Também pode vir a baixar a moral das forças da SDF, que com medo de uma invasão turca, viriam até Assad para negociar, de preferência sob termos lucrativos para Damasco, como o abandono da ideia de federalização da Síria. O segundo motivo é que o recuo das forças estadunidenses sinalizaria aos Estados que financiam a oposição, de que Assad venceu (ou vencerá) logo o conflito, e que é hora de restabelecer laços  políticos e econômicos. Isso praticamente isola Israel na região (que ainda demanda a deposição de Assad) e de quebra, permitirá a Assad escolher em quais termos irá se engajar com os seus vizinhos no médio prazo.



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