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Roger discursa sobre preconceito no futebol: "Silenciar é confirmar o racismo"


A partida entre Fluminense e Bahia, disputada neste sábado, 12, no estádio do Maracanã, obteve alguns marcos. Além de marcar a disputa entre dois tricolores, baiano e carioca, o jogo teve o encontro dos únicos dois treinadores negros - Roger Machado e Marcão - comandando equipes no Brasileirão Série A. Coincidentemente, os dois foram colegas de equipe na temporada 2006, quando atuavam pelo próprio Fluminense.


No gramado, os comandantes utilizaram camisas que estampavam a frase da campanha contra o racismo: "Observatório da Descriminalização Racial no Futebol". Questionado em entrevista coletiva sobre essa baixa presença de técnicos negros, Roger se estendeu na resposta, afirmando que isso não deveria causar tanto estranhamento, e que essa postura só serve para escancarar, ainda mais, o preconceito existente na sociedade.


"Com relação à campanha, não deveria chamar atenção ter repercussão grande dois treinadores negros na área técnica, depois de ser protagonistas dentro do campo. Essa é a prova que existe o preconceito, porque é algo que chama atenção.


A medida que a gente tenha mais de 50% da população negra e a proporcionalidade não é igual. A gente tem que refletir e se questionar. Se não é há preconceito no Brasil, por que os negros têm o nível de escolaridade menor que o dos brancos? Por que a população carcerária, 70% dela é negra? Por que quem morre são os jovens negros no Brasil? Por que os menores salários, entre negros e brancos, são para os negros? Entre as mulheres negras e brancas, são para as negras? Por que que, entre as mulheres, quem mais morre são as mulheres negras? Há diversos tipos de preconceito", explicou.


Para o comandante do Esquadrão, as raízes desse preconceito se estendem desde o período escravocrata do Brasil. História que eles fez questão de levantar também durante a sua resposta na entrevista coletiva.


"Quando eu respondo às pessoas dizendo que eu não sofri preconceito diretamente, a ofensa, a injúria, ela é só o sintoma dessa grande causa social que nós temos. Porque a responsabilidade é de todos nós, mas a culpa desse atraso, depois de 388 anos de escravidão, é do Estado, é através dele que as políticas públicas, que nos últimos 15 anos foram instruídas, que resgataram a autoestima dessas populações, que ao longo de muitos anos tiveram negadas essas assistências básicas, elas estão sendo retiradas nesse momento. Na verdade, esses casos que vêm aumentado agora, de aumento de feminicídio, homofobia, os casos diretos de preconceito racial, é o sintoma", relacionou.


Por fim, Roger Machado falou da necessidade de acabar com a negação da existência do racismo na sociedade. Além disso, o treinador exemplificou com situações que ele vivencia em seu dia-a-dia, que apenas reforçam a presença do preconceito.


"Nós negamos. 'Ah, não fala sobre isso. Porque não existe racismo no Brasil em cima do mito da democracia racial'. Negar e silenciar é confirmar o racismo. Minha posição como negro na elite do futebol, é para confirmar isso. O maior preconceito que eu senti não foi de injúria. Eu sinto que há racismo quando eu vou no restaurante e só tem eu de negro. Na faculdade que eu fiz, só tinha eu de negro. Isso é a prova para mim. Mas, mesmo assim, rapidamente, quando a gente fala isso, ainda tentam dizer: 'Não há racismo, está vendo? Vocês está aqui'. Não, eu sou a prova de que há racismo porque eu estou aqui", ratificou.


Em campo, no duelo de tricolores, o Fluminense levou a melhor e triunfou diante do Bahia pelo placar de 2 a 0. Os gols do embate foram anotadas por Nenê, cobrando pênalti, e Danielzinho, no fim da primeira etapa. Com o resultado, o Esquadrão adia mais uma vez o sonho de entrar no G-6 e se distância mais peça disputa por uma vaga na Taça Libertadores da América. Atualmente, o Tricolor baiano ocupa a 8ª posição, com 38 pontos.


*Com informações A Tarde

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